Bandas Famosas

Ivete Sangalo

Ivete Sangalo nasceu em Juazeiro, interior da Bahia, numa família de músicos. Começou a cantar ainda criança e, no colégio, aproveitava os intervalos para tocar violão. Nos saraus familiares, encarregava-se da percussão. Veio morar em Salvador aos 17 anos, tendo trabalhado como modelo, mas não resistiu à paixão pela música. Começou, como a maioria, tocando em barzinhos e, em seguida, realizou alguns shows em cidades do interior da Bahia, chegando a apresentar-se em Pernambuco. Na cidade natal, recebeu convite para abrir o show de Geraldo Azevedo, no Teatro do Centro de Cultura João Gilberto. De volta à capital baiana, foi convidada a participar de uma micareta na cidade de Morro do Chapéu.

Lá conheceu o produtor Jonga Cunha, fundador do bloco Eva. Estava iniciado o reinado de Ivete na Banda Eva, com a qual lançou seis álbuns, vendendo mais de quatro milhões de cópias. Antes, em 1992, a artista ganhou o Troféu Dorival Caymmi de Melhor Intérprete. A carreira solo começou oficialmente ao final da Quarta-Feira de Cinzas de 1999, último Carnaval dela com a Banda Eva.

Entre abril, maio e junho daquele ano, ela gravou as 14 faixas do CD solo de estréia, Ivete Sangalo. Em seguida, lançou o segundo CD: "Beat Beleza", lançando a turnê nacional em Salvador - ela sempre começa por aqui como faz questão de frisar - no mermo Parque de Exposições, onde no final de 2001 lançou a terceira cria desta "aventura" solo, Festa, talvez a mais abalizada das três, como vem insistindo em falar a crítica especializada.

FESTA - A nova morada de Ivete Sangalo

O terceiro álbum solo de Ivete Sangalo, Festa (Universal Music), como profetizou o titã Nando Reis numa breve apresentação, é "sua nova morada". E, neste novo canto onde a artista escolheu para passar um tempo, tudo é movimento. O show de lançamento nacional do disco, em Salvador, revelando a vontade da estrela de "pertencer sempre ao lugar que nasceu", é uma amostra disso, explicitada na Ivete Sangalo das "Ruas e Rios", não por simples acaso título da primeira faixa. As milhares de pessoas que lotaram o Parque de Exposições no sábado 22 de dezembro, antes de Ivete Sangalo entrar em 2002, puderam se certificar disso. Os fogos de artifício encheram o céu para que em seguida Ivete Sangalo enchesse o palco, juntinho da multidão, bem popular, como ela prefere, cantando músicas selecionadas pessoalmente com a ajuda do produtor Alexandre Lins. O ex-percussionista dela que desde 1999, quando Ivete deixou a Banda Eva, com a qual gravou seis álbuns, vem fazendo uma dobradinha de resultados elogiáveis. A voz dela estava lá, reafirmando mais uma vez a crítica de Nando Reis: "voz que às vezes ruge altiva e poderosa, e em outras ruge sutil, sussurrante". Combinação possível pela mistura de baladas românticas com sucessos da carreira. Pela leveza de não ir colocando tudo o que é novo de terceiro CD ao mesmo tempo, mas sim aos poucos, facilitando o contato com o público e dando manutenção a uma empatia estabelecida desde os tempos da Banda Eva. Com Festa, tanto no CD quanto no espetáculo, Ivete Sangalo consagra-se musa destas "gentes", seja no lugar que nasceu ou dos lugares por onde passa. Daquelas pessoas, que como o próprio Nando Reis revela nunca passaram um Carnaval na Bahia - "Mas antes de morrer ainda hei de fazê-lo", ele diz num quase aconselhamento - e das outras que curtem festa de largo, após pedir as bênçãos do Senhor do Bonfim.

Ivete comparece, assim, investida do que tem de melhor e não nega: suas raízes. Une sagrado e profano, o simples ao chique, o baiano com sabor de nacional, o nacional com gostinho de ir além, correr mundo. No primeiro show, na largada oficial da turnê, Ivete Sangalo e Alexandre Lins pinçaram três faixas do novo álbum: Festa, a faixa-título de Anderson Cunha, Tum Tum Goiaba (Leonardo Reis/Márcio Brasil) e Astral (Gustavo Di Dalva/Cláudio Martins). A estas, somaram outras que o público sabe de cor. Por conta disso, a "miscigenação de muitas culturas" foram transportadas para o palco. Tudo no melhor estilo dancing, realçado pelo cenário vivo e cheio de cores do baiano Ray Vianna, pelos figurinos de Patrícia Zuffa, e pelo compasso dos dançarinos coreografados por Amilton Lino. No show, a Festa é para valer, para não deixar ninguém de fora, tudo ao ritmo frenético da cantora e também compositora baiana - faceta revelada no último disco com a Banda Eva em Carro Velho.

E, para fazer valer a Festa, a participação de músicos tarimbados e já habituados ao estilo de ser de Ivete Sangalo: Rudnei Monteiro (guitarra), GIgi (baixo), Radamés (teclados), Toinho Batera (bateria), Cara de Cobra, Márcio Brasil e Fábio Almeida (percussão), além de Patrícia Sampaio como backing vocal. Todos escolhidos a dedo de forma a realçar o estilo marcante no álbum que, ainda de acordo com Nando Reis, leva a assinatura afirmativa da artista, "positiva, imaginativa, sem precisar estabelecer normas que restringiriam a vida a só ter dois lados. Seus lados podem ser trocados, girados, misturados, embaralhados e assim multiplicados".

E é desse jeito o espetáculo de divulgação, aberto com o carro-chefe Festa, seguido dos hits carnavalescos Pererê, Canibal, De Ladinho, Bug Bug Bye Bye, Carro Velho e Arerê. O show prossegue com Tonelada de Desejo, Astral e, em seguida, um instrumental acompanhando a apresentação dos nomes dos músicos no telão. E o ritmo que balança a "rede que sobe e desce assobiando no ar, fazendo vento, trazendo brisa, duplos sentidos, múltiplos sentimentos", anunciado e elogiado por Nando Reis na faixa Pop Zen, ganha ainda mais força no Medley romântico composto por A Lua Que Eu Te Dei, Se Eu Não Te Amasse e Back at One - esta última, bônus do novo álbum feita em parceria com o star romântico das Américas no momento, Brian McKnight.

Mas como o tempo não pára e Ivete Sangalo tem jeito de mar, renovando águas e barulhos ouvidos de uma rede tecida com fios que só a Bahia tem, o som continua com Empurra Empurra e Levada Louca. Ao final - se é que há um - a estrela desponta dancing no melhor estilo Ivete Sangalo Night Club. E é Festa. De novo... e sempre.


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